O inquilino avisou que vai sair. Você tem uma data de devolução das chaves. E agora chega um dos momentos mais importantes — e mais conflituosos — de todo o processo de locação: a vistoria de saída.
Fazer direito significa proteger seu investimento. Fazer errado — ou não fazer — pode custar milhares de reais em reparos que você nunca vai conseguir cobrar.
Quando fazer a vistoria
O ideal é realizar no mesmo dia da devolução das chaves, com o imóvel completamente vazio. Não aceite fazer a revisão com móveis ou pertences dentro — escondem defeitos e dificultam a comparação com a documentação de entrada.
Se o inquilino não puder estar presente, avise por escrito (email ou mensagem) a data e hora da vistoria. Isso demonstra transparência e te protege legalmente.
O que verificar: checklist completo
Paredes e tetos
- Furos de buchas, pregos ou parafusos
- Manchas de umidade novas
- Pintura danificada, descascando ou de cor diferente da original
- Rachaduras que não existiam antes
Pisos
- Riscos profundos (especialmente em piso laminado ou madeira)
- Cerâmicas quebradas ou soltas
- Manchas permanentes em carpete ou piso poroso
Cozinha e banheiros
- Estado da bancada, azulejos e torneiras
- Funcionamento do exaustor, forno, cooktop
- Juntas de silicone (mofo excessivo?)
- Ralos (funcionam corretamente?)
Janelas, persianas e portas
- Mecanismos de abertura e fechamento
- Vidros (trincas, quebras)
- Fechaduras (giram bem?)
- Borrachas de vedação
Instalações
- Aquecedor ou boiler (funciona?)
- Ar-condicionado (refrigera/aquece?)
- Todas as tomadas e interruptores
- Pontos de luz (falta alguma lâmpada?)
Desgaste natural vs. danos: a linha que importa
Nem tudo que você encontrar é cobrável. A lei distingue entre desgaste natural pelo uso e danos causados por negligência.
Desgaste natural (não cobrável):
- Pintura levemente amarelada ou suja após vários anos
- Pequenas marcas no piso pelo uso diário
- Torneiras que pingam por desgaste de vedação
- Lâmpadas queimadas
Danos cobráveis:
- Furos grandes em paredes
- Piso com riscos profundos por mover móveis sem proteção
- Eletrodomésticos quebrados por mau uso
- Persianas arrancadas ou janelas quebradas
- Manchas de tinta ou produtos químicos em superfícies
A chave é sempre a comparação: se você consegue demonstrar que algo estava bem na entrada e agora não está, tem um argumento sólido.
Como documentar as descobertas
Vistoria sem documentação é conversa. Vistoria com documentação verificada é evidência.
Para cada dano encontrado:
- Foto de perto mostrando o dano em detalhe
- Foto geral mostrando a localização no cômodo
- Se possível, compare com a foto da documentação de entrada
Com o CertiPlace você gera um laudo de saída com as mesmas garantias do de entrada: metadados selados, geolocalização verificada e hash blockchain. Colocando lado a lado, a evidência fala por si.
Você pode reter o depósito caução?
Segundo a Lei do Inquilinato e o Código Civil, você pode reter parte ou todo o depósito caução se existirem danos que excedam o desgaste natural. Mas precisa:
- Notificar o inquilino por escrito sobre os danos encontrados
- Apresentar orçamentos ou notas de reparo
- Demonstrar que o dano não existia antes (aqui é onde a documentação de entrada é vital)
Se o inquilino não concordar, pode reclamar judicialmente. Nesse caso, sua documentação verificada é sua melhor defesa.
O fluxo ideal para proprietários
- Antes de alugar: Laudo fotográfico CertiPlace de todo o imóvel
- Entrega das chaves: Compartilhar laudo com o inquilino
- Durante o contrato: Revisões anuais documentadas
- Saída do inquilino: Novo laudo CertiPlace com imóvel vazio
- Comparação: Entrada vs. saída = evidência visual direta
Conclusão
A vistoria de saída não é formalidade — é sua última chance de proteger seu investimento. Com documentação verificada de entrada e saída, você transforma uma situação potencialmente conflituosa em um processo objetivo e transparente.
Não deixe a proteção do seu imóvel no achismo. Documente com o CertiPlace e tenha a tranquilidade de saber que sua evidência é sólida.



